Necessidade de Suporte
Para algumas crianças autistas, um simples olhar, um toque ou uma conversa podem representar uma montanha a ser escalada.
A interação social é uma das áreas mais desafiadoras para muitas pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista, especialmente para aquelas classificadas como nível 3 de suporte. Enquanto a sociedade costuma enxergar a comunicação e a convivência como algo natural, para muitas dessas pessoas cada aproximação pode exigir um enorme esforço.
Um olhar nos olhos, compreender uma expressão facial, responder ao próprio nome, dividir uma brincadeira ou demonstrar interesse em uma interação podem ser habilidades que precisam ser construídas com tempo, estímulo e muito respeito.
O maior erro de quem observa de fora é interpretar a dificuldade de interação como falta de afeto ou ausência de sentimentos. A verdade é que muitas crianças autistas nível 3 sentem amor, alegria, medo e saudade de maneira profunda. A diferença está na forma como conseguem expressar essas emoções e estabelecer conexões com o mundo ao redor.
Como pai do Arthur, um autista nível 3 de suporte, eu aprendi que a interação social não pode ser medida pelos padrões de uma criança típica. Muitas vezes, uma conquista que passaria despercebida para outras pessoas se torna um momento inesquecível para uma família: um abraço espontâneo, um olhar compartilhado, uma tentativa de comunicação ou o simples desejo de estar próximo.
Essas pequenas grandes vitórias carregam um significado imenso. São sinais de uma conexão que está sendo construída no tempo da criança, sem pressa, sem comparações e sem a exigência de que ela se encaixe em modelos impostos pela sociedade.
Também é importante compreender que a inclusão social de uma pessoa autista nível 3 não acontece apenas quando ela aprende a participar do mundo como os outros fazem. A verdadeira inclusão acontece quando o mundo também aprende a respeitar sua maneira única de se comunicar, sentir e se relacionar.
Como pais, buscamos terapias, orientações e estratégias que possam ampliar a comunicação dos nossos filhos. Mas, acima de tudo, aprendemos uma lição fundamental: antes de ensinar o autista a se conectar com o nosso mundo, precisamos estar dispostos a entrar no mundo dele.
E talvez seja exatamente nesse encontro que a verdadeira conexão aconteça.
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