Compreensão do TEA
O debate sobre os graus de suporte nos lembra que cada pessoa autista possui desafios únicos, que merecem ser reconhecidos sem comparações ou disputas.
A classificação do autismo em níveis de suporte — Nível 1, 2 e 3 — surgiu como uma forma de ajudar profissionais e famílias a entenderem o grau de assistência que uma pessoa autista necessita em sua vida diária. Porém, como toda classificação, ela também carrega desafios e abre espaço para debates importantes.
De um lado, estão autistas classificados como Nível 1, que muitas vezes são vistos pela sociedade como pessoas que "não têm dificuldades", apenas porque conseguem falar, estudar ou trabalhar. Essa visão simplista ignora sofrimentos invisíveis, como sobrecarga sensorial, dificuldades sociais, crises de ansiedade e o esforço constante para se adaptar a um mundo que nem sempre está preparado para recebê-los.
Do outro lado, existem pessoas autistas com necessidades muito elevadas de suporte, como muitos autistas de Nível 3, que podem apresentar ausência de fala funcional, deficiência intelectual associada, dependência para atividades básicas e necessidade de acompanhamento durante toda a vida. Suas famílias frequentemente enfrentam uma rotina de cuidados intensos, desafios financeiros, exaustão física e preocupações sobre quem continuará cuidando deles no futuro.
Como pai do Arthur, um autista nível 3 de suporte, eu conheço de perto essa realidade. Sei o que significa comemorar pequenas conquistas que, para muitas famílias, passam despercebidas. Sei o peso da responsabilidade diária, das terapias, das noites mal dormidas e das incertezas sobre o amanhã.
Mas reconhecer a profundidade dos desafios de um autista com maior necessidade de suporte não significa diminuir a dor ou a luta de quem está em outros níveis. O autismo é um espectro justamente porque se manifesta de formas diferentes.
O grande erro acontece quando transformamos níveis de suporte em uma competição de sofrimento. Não existe autismo "melhor" ou "pior". Existe uma pessoa com necessidades específicas, que merece ser ouvida, respeitada e amparada de acordo com sua realidade.
Mais do que discutir rótulos, a sociedade precisa aprender a olhar para o indivíduo. Porque, no fim, a verdadeira inclusão começa quando conseguimos enxergar a pessoa antes da classificação.
