História
Por trás de uma das leis mais importantes do autismo no Brasil, existe a história de uma mãe que se recusou a aceitar o abandono e a invisibilidade.
Antes de a Lei nº 12.764 ganhar seu nome, ela nasceu da dor, da persistência e do amor de uma mãe. Berenice Piana não era política, médica ou jurista. Ela era, acima de tudo, uma mãe que conhecia de perto os desafios de criar um filho autista em um país onde, durante muitos anos, o autismo era cercado pelo desconhecimento e pela falta de políticas públicas.
Mãe de um jovem autista, Berenice enfrentou a mesma realidade de milhares de famílias brasileiras: a dificuldade no acesso ao diagnóstico, a escassez de tratamentos adequados, a falta de inclusão escolar e a ausência de reconhecimento dos direitos das pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista.
Mas ela decidiu que sua dor não ficaria restrita aos muros de sua própria casa. Transformou a experiência pessoal em ativismo, mobilizou famílias, buscou diálogo com autoridades e se tornou uma das vozes mais importantes da luta pelos direitos das pessoas autistas no Brasil.
Essa caminhada ajudou a tornar realidade a Lei nº 12.764, de 2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. A legislação representou um marco histórico ao reconhecer oficialmente a pessoa autista como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, garantindo o acesso a direitos fundamentais nas áreas da saúde, educação, assistência social e inclusão.
Como pai do Arthur , eu sei que nenhuma lei nasce por acaso. Por trás de cada direito conquistado existem famílias que choraram, que bateram em portas fechadas e que se recusaram a desistir.
Por isso, lembrar o nome de Berenice Piana é lembrar que a mudança social quase sempre começa com alguém que teve coragem de dizer: “não pode continuar assim”.
Hoje, milhares de famílias brasileiras se beneficiam de uma legislação que carrega seu nome. Uma homenagem justa a uma mãe que transformou a luta pelo próprio filho em um legado de dignidade, reconhecimento e esperança para toda a comunidade autista.
